Entrevista com Sérgio Cardoso

 

Sérgio Cardoso é  professor-doutor de Filosofia da USP, mestre em Filosofia pela Ècole dês Hautes Ètudes en Sciencies Sociales e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Filosofia com ênfase em Ética.

1 – Como o senhor se disse fã do Espaço TIM UFMG do Conhecimento, gostaria que explicasse o porquê dessa admiração que, claro, nos alegra?

Visitei o espaço já por ocasião de sua inauguração, por convite do Prof. Ronaldo Pena, então reitor da UFMG. Ver a administração da universidade, professores da universidade, empenhados, de maneira entusiasmada, com este projeto de levar à população de Minas, de maneira acessível e criativa, vários registros do conhecimento cultivado na academia, foi algo muito bonito de ver. E mais: houve aí uma colaboração exemplar entre instituições de governo, universidade e iniciativa privada, pois os interesses da divulgação científica e da motivação para a conhecimento prevaleceram claramente nesta parceria; não são apenas pretextos para ações de marketing, político ou empresarial.

2- Esse equipamento de divulgação científico-cultural está inserido no chamado Circuito Cultural Praça da Liberdade. Como o senhor entende essa “conversa” da ciência com os demais equipamentos culturais da Praça?

Ainda não conheço os outros projetos da Praça. Sei que acaba de ser inaugurado um Espaço dedicado à história e cultura de Minas e já tive notícias de que ficou muito bom. Mas a ideia mesma de transformar esta linda Praça, cheia de história, inteiramente viva e freqüentada pela população da cidade, em um pólo de cultura, de informação e de interrogação sobre a identidade de Minas (e do Brasil) já é em si um ponto de partida excepcional. Espero que outras cidades brasileiras tenham iniciativas semelhantes. Sentimos que é hora do nosso país olhar para si mesmo, refletir sobre sua identidade e sobre a imagem que quer oferecer ao mundo. Acho interessante que os fenômenos da globalização, ao menos no nosso caso, ao invés da diluição da nossa identidade, estejam nos levando a buscar nos conhecer e compreender melhor.

3- Fala-se que as escolas, especialmente as de nível fundamental, perdem em atratividade para os meios eletrônicos. Assim, fica mais difícil manter as crianças interessadas nos conteúdos curriculares. O senhor acha que as linguagens interativas dos espaços de divulgação científica podem ter um papel complementar às escolas, nesse sentido?

Não há volta quanto ao domínio dos meios eletrônicos. O importante é buscar tirar o melhor uso destes instrumentos tecnológicos e não nos deixarmos dominar por eles, o que sempre acontece um pouco diante do apelo dos novos gadgets. No registro do ensino e da pedagogia, o problema não está, no meu ver, no uso de meios interativos e eletrônicos, mas em associá-los à pura ‘diversão’. Há um prazer intelectual a ser descoberto e experimentado nas atividades de aprendizagem, seja na escola, seja em um museu: o prazer de interrogar, o prazer de compreender, de se surpreender. Ora, os meios eletrônicos podem estar a serviço deste prazer intelectual, como estão aí no Espaço do Conhecimento. O que não se pode é associar o prazer apenas à passividade do que é ‘gostoso’, do que acaricia os sentidos e conforta a preguiça.

4- A Universidade brasileira está passando por um processo de mudança no que se refere ao acesso, com as cotas e o ProUni, por exemplo. Como os espaços e ações de divulgação científica se inserem nesse contexto ?

Estes equipamentos podem ter um papel importante como motivação para um contingente importante da população brasileira que começa a ter acesso não só ao consumo básico de bens, mas também acesso a outros níveis de escolaridade. O PROUNI tem levado às universidades jovens que constituem a primeira geração de suas famílias a chegar à educação superior. Toda ação cultural e de difusão social do conhecimento ganha neste contexto uma importância enorme, sobretudo para os segmentos da população que querem superar sua longa história de exclusão.

5 – Que impactos, a instalação e a progressiva “descoberta” pela população desse Espaço podem trazer para Minas Gerais?


O tempo mostrará a importância destas iniciativas, tanto do Espaço do Conhecimento quanto dos outros equipamentos que integrarão o circuito da Praça da Liberdade. De uma coisa estou certo, trata-se de uma iniciativa ousada, inventiva e, já se pode dizer, muito bem sucedida. Minas sai à frente, e ganha muito com isto.

*foto: João Romano

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