Registro de uma visita

Eles são adolescentes com idades entre 13 e 14 anos. Vestem boas roupas, têm celulares modernos, TV e computador em casa, mas ficam ouriçados só porque o ônibus que os traz de Ribeirão das Neves (na Região Metropolitana de Belo Horizonte) atravessa um túnel, experiência que muitos nunca tiveram, e alguns minutos depois chega à capital mineira.

Ao contrário do que se pode imaginar, os jovens quase nada conhecem da grande cidade vizinha, por isso ficam excitados com a excursão que os levará a um tal lugar de ciências. Eles não sabem muito bem como será a experiência. Mas confiam nos professores que os levam.  Essa confiança vem do fato de a Escola ser um lugar onde se sentem acolhidos e protegidos já que o poder paralelo do tráfico no bairro afronta as autoridades, diariamente, com enorme ousadia.

O ônibus chega e é quando a outra viagem começa. O Planetário, que projeta o céu no cinema e vice-versa, causa sensação entre a garotada.  “Aquilo é demais, dá para ver todos os planetas”, concordam Orlânia, Igor, Rafael, Kevin, Thales, Harrison, Katlen, Matias, George e Pablo, expressando uma opinião que parece ser da maioria.

As teorias sobre a origem da terra e da vida no Planeta também comovem fortemente. “A explicação que eles têm sobre o assunto vêm da doutrina cristã passada pela família. O interesse pelas explicações científicas comprova que eles se mostram abertos às informações”, analisa a professora Nilza de Jesus dos Santos. Foi a professora de Geografia que “descobriu” o Espaço TIM UFMG do Conhecimento na Internet e conseguiu uma vaga para trazer seus 70 alunos depois da desistência de outra escola.

A professora de matemática Cristina Nogueira confidencia depois da visita: “eles vivem uma vida muito restrita, sem lazer, sem praça e sem cinema. De certa forma vivem como se estivessem ilhados. Assim como eles, nós professores acabamos ficando muito bitolados também porque encontramos muitos limites para descobrir recursos didáticos”.

Bons recursos de expressão é o que precisa ter o monitor Jorge Luiz Noujeimi, estudante de Geografia da UFMG, para desfazer alguns enganos dos meninos sobre ecologia e meio ambiente. Efeito estufa, alimentos orgânicos, aquecimento global. A revisão é ampla e ele explica porque se esforça para se fazer entender. “Quando estudava no ensino fundamental e médio, vi que alguns conceitos foram passados de forma superficial e até equivocada, por isso insisto para que os alunos aprendam quando vêm aqui”, enfatiza.

Luiz Fernando Moura de Assis, de 13 anos, acompanha tudo que os monitores falam e dá um show de interpretação dos objetivos da Exposição Demasiado Humano.  “Eles mostram os temas de maneira focada. Explicam de modo geral, de forma que dá para entender mais sobre o assunto”.  E muito mineiramente dá sua avaliação final do passeio: “Envolveram o conhecimento com a tecnologia. Ficou uma coisa boa demais. Desse jeito os jovens podem aprender”, finaliza. (Nice Silva)

*foto:Izzabella Campos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: